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| ALDO CARNEIRO COSTA/GAZETA PRESS |
"Eu era técnico do Juventude e nós eliminamos o Grêmio na semifinal do Gauchão. Não tive dúvida: escalei o alambrado e fui pro meio da torcida comemorar".
Foi assim que Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi ganhou o apelido que lhe acompanha pelos campos de futebol do país: "Lisca Doido".
Esse gaúcho de 42 anos, nascido em Porto Alegre, é hoje o técnico mais maluco do Brasil. Afinal, qual outro "professor" dança em pleno gramado só pra provocar um atacante rival?
Aconteceu na última terça-feira, após a vitória por 2 a 0 de seu Náutico sobre o Criciúma, pela Série B. A torcida pediu que Lisca "frescasse", imitando a dança que o atacante Neto Baiano, ex-Sport e hoje no time catarinense, costuma fazer após marcar seus gols.
O treinador não pensou duas vezes: mesmo com a cintura dura dos Pampas, foi lá e "frescou", fazendo a massa alvirrubra explodir na Arena Pernambuco.
"Eu não sou de dançar, fui mais na brincadeira da torcida. Eles estava 'frescando' e pediram pra eu ir, então eu fui. Conhecia a música porque alguns jogadores ouvem, mas fiz uma dança mais estilo Vanerão, bem gaúcho mesmo. Eu sou muito duro para 'frescar', gaúcho não tem essa ginga", brinca Lisca.
O pedido veio porque Neto Baiano é odiado pela torcida do Náutico. Além disso, o próprio atacante provocou Lisca no ano passado, quando foi campeão pernambucano pelo Sport em cima do "Timbu". Na comemoração do título, mostrou um cartaz com a foto de Lisca para a torcida rubro-negra e "frescou" ao lado para tirar sarro.
Um ano depois, a vingança veio no mesmo ritmo...
"Eu até conversei antes do Neto para não ter mais nenhum problema entre a gente, e ele foi muito correto. Quase trabalhamos juntos no clube que ele estava recentemente, o mundo da bola dá muitas voltas... Mas ele é personagem muito legal, um ídolo aqui no Sport, mas o resto do Recife pega no pé (risos). Ele gosta de mexer com o torcedor e eu fui na linha dele, para não deixar sem resposta (risos). Foi tudo na paz e na boa. Só curti o momento", garante o treinador.
O "Doido", inclusive, pede mais provocações, para que o futebol não fique sem graça.
"Hoje está muito chato, muita gente acha que não pode brincar mais, mas eu não dou muita bola. Não é fácil nossa profissão. Melhor levar na brincadeira do que levar o futebol como guerra, com pessoas brigando ou morrendo", ressalta.
Ídolo do Náutico
Com passagens pelas categorias de base de times como Inter, Grêmio e São Paulo, além das equipes principais de Brasil de Pelotas, Novo Hamburgo, Luverdense, Caxias e Juventude, Lisca encontrou seu segundo lar nos Aflitos.
Identificado com a torcida, ele sonha em acabar com o sofrimento que os torcedores alvirrubros vêm passando nos últimos anos. No ano passado, bateu na trave e foi vice do Pernambucano. Deixou o Recife e foi para o Sampaio Corrêa, mas voltou durante o Estadual desse ano, para a alegria da torcida do "Timbu".
"O perfil da torcida do Náutico é parecido com a do Juventude. São muitos anos de insucessos, estão muito tristes. Remoem coisas ruins e não curtem mais o time, vão menos ao estádio. Quando vão, acabam xingando...", afirma.
Com a vitória sobre o Criciúma, no jogo da "frescada", o Náutico manteve o 100% de aproveitamento e alcançou seu melhor início na história da Série B. O treinador vê o início de campanha com bons olhos, mas pede para a equipe não subir no salto.
"Estamos com seis vitórias seguidas sem tomar gol, três na Copa do Brasil e três na Série B. Nosso principal objetivo é a Série B. Começamos bem, mas temos que ter os pés no chão, pois são mais 35 rodadas", alerta.
"Estamos resgatando essa alegria de torcer pro Náutico. Eu sou o comandante deste processo, um cara que se entrega, que puxa o torcedor", finaliza.
Créditos da matéria: Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

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